terça-feira, 9 de junho de 2020



MEU OLHAR

Meu olhar cai nas coisas corriqueiras, nas minhas cachorrinhas dormindo ao sol, nas borboletas que visitam as flores do jardim... Nos sanhaços que vem comer as frutas... Meu olhar cai nas coisas doces do existir.

sonia delsin




ESTRADA DA VIDA
A estrada é de pedra... A estrada é circundada por flores... A estrada é de alegrias e dores... A estrada é simplesmente uma oportunidade para crescer de verdade.

sonia delsin




Os olhares dos dois pareciam estar direcionados à mesma estrela. Sim, pareciam... Não estavam.

sonia delsin


AI DE MIM

A flor despetalou
e pensou
Ai de mim
Ai de mim que desabo neste jardim
A rosa que desabrochou pela manhã lhe sorria
Sentia uma alegria
Mas a flor despetalada pensava
Ontem eu ainda estava ali no galho
Ontem eu estava a sorrir
É tão estranho o existir
É estranho e ao mesmo tempo fantástico
Temos o tempo de nascer, de viver, de morrer
E a vida segue em frente
Sempre se renovando
Sempre 
A flor partia
Outra sorria
Outra viria
E o jardim sempre e sempre estava repleto delas
E as chuvas chegavam
Os ventos
O sol 
O sereno
E a vida simplesmente se renovando
O planeta nos mostrando
Que a vida é
Que a vida existe
Que a vida é eterna
Que nós também precisamos nascer, viver, morrer
Para renascermos
Para revivermos
Até que nos transformemos
Até que nos tornemos o que o Pai Eterno espera de nós
E Ele sabe, Ele sabe que chegaremos 

sonia delsin




TEMPO DE ROSAS AMARELAS

Ah! O tempo das rosas!
Das rosas amarelas
Tão belas, tão belas!
Um jardim, um tempo
Um sonho
Se fecho os olhos vejo os canteiros
E digo ao meu coração
Foi ontem
É uma consolação?
Não, é uma constatação
Dentro do tempo infinito
foi ontem
E foi bonito
Acabou-se?
Talvez nada se acabe, 
Talvez tudo seja transmutado 
para uma nova encarnação 
É apenas uma peça

No jogo do xadrez o peão 

sonia delsin
TRANSFORMADOS

Vi vasos vazios sobre mesas imensas 
E jarros secos
Vi rosas despetaladas
E uma menina de longas pernas
a percorrer caminhos dentro do nada
Vi a sombra da noite chegando
E vi a estrela matutina
Vi a menina
A menina
A que corria, pulava e dançava
na imaginação
E era tão bom, tão bom!
Vi erguer-se um muro
Vi o muro desabar
E vi a menina a cantar
A rir, a cantar
A se esbaldar
Era outro tempo então
Ela tinha algo que a motivava
Um amor no coração
Uma paixão?
Ela não sabia
E aquilo que sentia vivia, vivia
Eram dois alienados?
Dois apaixonados?
Dois seres que viviam tão, mas tão distanciados
Hoje a menina das pernas compridas se pergunta
Estão ambos transformados?
Ou continuam parados
a olhar o tempo
a esperar do tempo

a sonhar um tempo 

sonia delsin


DO TEMPO…

quem somos com 
nossos ombros desnudos
nossos braços peludos
com nosso viço
com nossa apatia
quem somos com nossa melancolia
seres do tempo a passar 
a passar
como o vento a passar
seres do espelho
das faces translúcidas
somos sementes espalhadas
pó de estrelas jogadas
espaço afora
os de agora
os de outrora
os seres do tempo 
os que chegam
que partem
no carrossel do tempo 
somos sorrisos e lágrimas
Indignação
redenção
um ponto de interrogação?
estou mais a acreditar que somos
um ponto de exclamação 

ah! somos os seres do tempo!

sonia delsin