quarta-feira, 6 de maio de 2020



MONÓLOGO - LIBERDADE

Final de tarde
Estou na janela
Olhando uma paisagem tão bela, tão bela…

Fico me perguntando, tentando me responder
Tentando entender

Meus olhos se prendem numa andorinha
voando tão sozinha
Voando, revoando, voando

E então penso neste nosso sonho de liberdade
Penso na cidade
Na cidade tão vazia

Penso nas ruas
Nas luas 
que gosto de admirar

Prendo ainda mais o olhar na andorinha
Parece que ela está me convidando
a voar

Será que posso sair pela janela
e ir ao encontro dela?
Ah! Posso, posso

Qualquer vento me leva até ela
E ela me auxilia no voo
É tão pequenina e me orienta

Ficamos sobrevoando a cidade
Penso na maldade
Na maldade dos homens

Quantas vezes tiram a vida destes pequeninos seres!

Mas o maior mal é que o fazem a si mesmos
Criam em torno de si um clima hostil 

Fico pensando no Brasil
Um país tropical
Tão lindo
Cheio de belezas naturais, praias paradisíacas 

Mas com tantas desigualdades sociais
Como ter paz?
Fechar os olhos?
Arregaçar as mangas?

O tempo urge
O tempo é agora

A ampulheta do tempo  não para de correr
A areia desce, desce, desce

Quanta gente cresce!
Se acha o maioral
É, se acha o tal

E desmorona sob um “temporal”

Porque o tempo costuma mudar

Parecia que a vida corria lisa, uniforme
Tudo estava estabelecido

Não estava
Era um ledo engano

Muitos acertos precisam ser feitos

O mundo começa em nós
Temos que fazer a nossa parte
Dar o melhor de nós
E o outro precisa dar o melhor de si
E o outro, e o outro

Aqui de cima voando com a andorinha que agora 
já não voa mais tão sozinha 
Olho um jardim
Um chafariz
Olho a natureza que me diz
Está na hora da humanidade acordar

Sonhamos liberdade porque estamos presos
Presos ao que não somos 
E poderíamos ser
Mais humanos

Muito, muito mais humanos


sonia delsin

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